Sistema olival superintensivo

olival superintensivo é uma tecnologia de cultivo que a Agromillora reviu com a colaboração de muitos dos seus clientes, que permite conseguir um aumento muito notável da rentabilidade em relação ao olival tradicional.

Quando se realizaram as primeiras plantações de olival superintensivo no início dos anos 90, as incógnitas que se apresentavam sobre o novo modelo de cultivo eram numerosas: duração da plantação, compassos idóneos, variedades adequadas, poda, fertilização, rega, etc. A experiência adquirida ao longo de mais de 15 anos nas distintas plantações permitiu aperfeiçoar os projectos iniciais e dissipar muitas das dúvidas que apresentava o sistema.

Os pontos-chave do êxito do sistema superintensivo residem em: a colheita 100% mecanizada; a rápida entrada em produção, no 3° ano, com rendimentos elevados e sustentados no tempo; e a alta qualidade do azeite obtido, 100% extra virgem.

  • Colheita mecanizada

Para a colheita são adequadas as mesmas máquinas de colheita empregues na vindima, e estas podem estar disponíveis durante o período de colheita das azeitonas. As máquinas não precisam de modificações, colhem até 98% dos frutos causando danos mínimos sobre o fruto e a árvore. Os rendimentos podem alcançar as 2 horas/ha e os custos de colheita oscilam entre 0,03-0,06 €/Kg. Este factor permite cortar com a imagem inicial de sistema próprio e exclusivo de grandes herdades ou grandes investidores, e converteu o cultivo superintensivo em mais uma alternativa a considerar pelo olivicultor tradicional. O superintensivo requer herdades com pendentes inferiores a 20% para permitir o deslocamento da máquina de colheita.

 

  • Variedades

A eleição da variedade constitui um dos aspectos fundamentais para conseguir um bom resultado. Actualmente há três variedades de baixo vigor que representam a base destas plantações: ‘Arbequina’ eleição Agromillora, 'Arbosana' i-43 e 'Koroneiki' i-38. O número de variedades adaptadas ao sistema superintensivo ainda é pequeno, mesmo que nos próximos anos se preveja incorporar novos materiais genéticos procedentes do programa de melhoramento do departamento de I+D de Agromillora e dos programas em cooperação com a Universidade de Córdoba e outras instituições.

  • Qualidade genética e sanitária do material vegetal

Para a produção de plantas Olint utiliza-se material vegetal procedente dos nossos campos de planta mãe originados a partir de material inicial próprio, controlados a nível genético e sanitário. A disponibilidade de umas instalações de estufa para a sua manutenção em condições adequadas, a realização de controlos periódicos de pragas e doenças e o sistema de rastreabilidade aplicado em todo o processo de produção garantem a qualidade das plantas Olint.

 

  • Plantaçao mecanizada

É possível realizar a plantação com maquinaria de uma ou duas linhas com alinhamento mediante laser na qual se aplica um tratamento com herbicida de pré-emergência no momento da plantação. O rendimento de plantação para um equipamento composto por 5 pessoas é de 7000-9000 plantas/dia.

 

  •  Poda mecanizada

O sistema superintensivo permite mecanizar num elevado grau a poda contribuindo assim para reduzir significativamente os custos da exploração. No verão e de forma anual realiza-se o topping (corte da parte superior da árvore) a uma altura de 2,5 m e o corte dos ramos mais baixos para manter as ramas inferiores a uma altura de 60 cm. Estas duas podas são importantes para a manipulação da vegetação e além disso optimizam a colheita com a máquina.

 

  • Densidade plantaçao

Os compassos de plantação seleccionam-se principalmente em função do vigor das variedades, da fertilidade do solo e do regime de rega. Uma distância entre plantas na linha de 1,35 a 1,5 m, uma distância entre linhas de 3,5 a 4 m, e a limitação em altura da oliveira a 2,5 m possibilitam a formação de um sebe vegetativa contínua, boa iluminação, capaz de produções sustentadas com o passar dos anos.

 

  • Formaçao eixo central

Uma das características do sistema superintensivo é a formação da árvore num eixo central, o qual se consegue com uma boa manipulação da poda e com tutores durante os 3 primeiros anos. À medida que a planta vai crescendo, ata-se ao tutor a cada 20 cm. e eliminam-se as ramas situadas no terço inferior, até uma altura máxima sem ramas de 60 cm. É aconselhável um tutor de 2 m para assegurar um bom atado até aos 2,5 m; uma vez alcançada esta altura realiza-se o topping de verão para a manter.

  • Produçao

A entrada em produção é muito rápida, conseguindo já no terceiro ano de plantação uma produção de 3-4 T/ha. Os resultados obtidos nestes anos de experiência nas distintas zonas olivícolas dão valores de produção sustentada entre 8-12 T/ha. Em plantações de zonas quentes com uma adequada manipulação da cultura obtiveram-se produções de até 16 T/ha.

 

  • Rentabilidade

O superintensivo reduziu de forma significativa as necessidades de mão-de-obra, não só na colheita, que no sistema tradicional supõe 80% dos custos totais, mas também noutras operações mecanizáveis como a poda ou mesmo a plantação. Em definitivo, consegue-se um aumento muito notável da rentabilidade e uma menor dependência da disponibilidade de mão-de-obra, cada vez mais escassa em todos os países.

 

  • Qualidade colheita

A utilização das máquinas permite uma colheita rápida no momento óptimo de maduração; as azeitonas não tocam no chão, não se danificam e são transportadas imediatamente para as zonas de processamento. Todos estes factores originam um azeite de alta qualidade, (100% extra virgem) que preserva os aromas característicos de cada variedade.

Actualmente, 14 anos depois da primeira plantação comercial realizada pela AGROMILLORA em 1994, mais de 80.000 hectares em todo o mundo acolhem este tipo de plantações. Este número é muito significativo se atendermos ao curto espaço de tempo decorrido desde a sua implantação. Mais de 50 % da superfície plantada em sistema superintensivo encontra-se em Espanha; segue-se Portugal, Chile, EUA, Tunísia, Marrocos, França, Itália, Austrália (dados de superfícies na revista Olint n°12). Reflexo da aceitação do superintensivo pela comunidade oleícola internacional são as novas linhas de estudo abertas pelas Universidades e Centros de Investigação, os importantes movimentos gerados no mercado pela incorporação de novos países produtores (Chile, EUA, Austrália), a constituição de macro projectos, e acima de tudo a grande quantidade de pequenos projectos iniciados nas principais regiões oleícolas do mundo.